Propagação de mudas torna acessível comércio de orquídea

(Uberaba 07.12.2017) Avanços em biotecnologia possibilitaram o desenvolvimento de mudas de qualidade de orquídeas em menos tempo, na região do Triângulo Mineiro. A raridade e a dificuldade de obter mudas e fazer a propagação de orquídea, por exemplo, eram os principais fatores do alto custo desta planta. Coma multiplicação e germinação in vitro o problema foi amenizado.

Este trabalho tem sido desenvolvido no Laboratório de Biotecnologia Vegetal do Campo Experimental Getúlio Vargas da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), em Uberaba. A instituição já chegou a produzir entre 10 mil e 12 mil plântulas por mês de orquídeas pré geminadas a partir da técnica de quebra de dormência das sementes. A propagação da planta facilitou a obtenção de mudas em maior número e qualidade na região e possibilitou implantação de diversos orquidários comerciais.

De acordo com o orquidófilo Eduardo Marçal de Resende, a parceria com o laboratório da EPAMIG foi fundamental para iniciar o seu negócio, há 10 anos. “Eu tinha cerca de dois mil vasos em um espaço de 800 metros. Recebi 12 mil mudas germinadas no laboratório da EPAMIG, o que ocupou todo o espaço do orquidário. Foi uma importante prestação de serviço da pesquisa, já o valor da muda era bem menor do que o valor praticado no mercado” comenta.

De acordo com o pesquisador da EPAMIG Hélio Evaldo da Silva sempre que há procura, a EPAMIG realiza o trabalho na forma de prestação de serviço. “Cabe aos orquidófilos fornecerem as sementes e pagarem pelo custo da germinação”, informa. Para ele, a tecnologia se tornou uma grande aliada no mercado de plantas dessa espécie. “Além de disponibilizar o produto para o comércio, promoveu queda significativa nos preços, resultando em expressiva popularização destas flores. Esta popularização movimentou o mercado e colocou as orquídeas em posição de destaque no comércio das plantas envazadas”, aponta.

Para o pesquisador, a maior oferta de mudas no mercado também fez diminuir o número das espécies na lista das orquídeas ameaçadas de extinção, pois houve uma redução, de forma gradativa, na extração ilegal da planta. “Não há mais tanta devastação e redução do habitat natural”, comenta. “Além disso, hoje, existem diversas iniciativas de reposição na natureza com plantas germinadas em laboratório”.

O processo de ‘germinação in vitro‘ é minucioso. Silva explica que inicia com a desinfestação das sementes e a semeadura em meio específico para favorecer a germinação. A próxima etapa é de repicagem. “Colocamos muitas sementes em um único frasco. Depois de germinarem retiramos as plântulas e as distribuímos em outros frascos para que tenham maior espaço e ambiente para crescer. Os frascos são levados para um ambiente climatizado com temperatura de 25º e fotoperíodo de 16 horas”, explica. Só depois que as plântulas atingem um determinado estado de desenvolvimento é que são entregues aos orquidófilos.

A parte mais delicada de todo o processo é após o orquidófilo retirar a plântula do frasco. “Ela sofre um estresse severo, pois passa de uma condição ótima para um ambiente hostil. Se não tomar os devidos cuidados pode perder grandes quantidades de plântulas ou até todas, pois elas precisam de ambiente, substrato, umidade e iluminação adequados para se desenvolverem e florescerem”, alerta o pesquisador.

A orquídea é uma das famílias mais numerosas do reino vegetal, com aproximadamente 800 gêneros e 38 mil espécies nativas catalogadas no mundo todo. Ela se diferencia das outras plantas pelo fato de necessitar de um ambiente propício para se desenvolver, não sendo fácil cultivá-la em casa como é feito com outras plantas. Algumas espécies do gênero Phalaenopsis e alguns Dendrobium de origem asiática já foram domesticados e, por isso, se adaptam mais facilmente aos ambientes domésticos, sem muita exigência quanto aos sistemas de cultivos específicos.

O Laboratório de Biotecnologia Vegetal em Uberaba desenvolve outras linhas de pesquisas com destaque para clonagens, principalmente do café.  O principal objetivo é o apoio aos programas de melhoramento genético das espécies. Outra atividade do laboratório está voltada para espécies nativas que possuem potencial de produção de óleos para múltiplas finalidades, principalmente para uso como biocombustível. A empresa dá ênfase à macaúba e ao pequi, plantas com papel social importante nas regiões de agricultura familiar.

 

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