Prova de Ganho em Peso vai revelar a genética nelore mais produtiva

Os futuros reprodutores pertencem a planteis de 22 criadores de Minas Gerais e São Paulo que trabalham com melhoramento genético. Foto: Divulgação

Patos de Minas (19/04/2017) – A última pesagem oficial da Prova de Ganho em Peso (PGP), que acontecerá no próximo dia 21, no Campo Experimental Sertãozinho da, em Patos de Minas, vai identificar os melhores animais da raça nelore avaliados, durante 10 meses, quanto ao desempenho em ganho de peso a pasto, a precocidade em produção de carne e ao potencial reprodutivo. Os 51 animais que participam da prova, de acordo com o desempenho apresentado, serão classificados em quatro grupos: elite, superior, regular e inferior.  O grande vencedor da prova será revelado e premiado em um evento do Grupo Amigos do Nelore durante a Fenamilho, dia 25 de maio.É a primeira vez que esta prova acontece em Patos de Minas. Para o presidente da EPAMIG, Rui Verneque, é mais uma contribuição da empresa à toda classe produtora, principalmente àqueles produtores que querem utilizar um touro nelore como reprodutor. “Os produtores terão a oportunidade de adquirirem os produtos desse trabalho relevante de pesquisa, o que contribuirá para a melhoria da qualidade genética do rebanho e aumento da produtividade animal. E isto faz parte da missão de uma empresa de pesquisa como é a EPAMIG”, ressalta.

Os futuros reprodutores pertencem a planteis de 22 criadores de Minas Gerais e São Paulo que trabalham com melhoramento genético. Em todas as pesagens, sendo três oficiais e três intermediárias, os resultados mostraram boa eficiência em ganho de peso. Até o final da prova a expectativa é que cada animal ganhe cerca de meio quilo de peso por dia, em condições de pastagem exclusiva. Segundo o gerente do Pró-Genética e de melhoramento genético da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), Lauro Fraga, este é um ganho relevante devido à baixa incidência de chuvas e, como consequência, baixa oferta de volumoso. “O mais importante na prova é avaliar a diferença entre os animais. Queremos identificar aqueles que têm a maior capacidade de adaptação, de ganho em peso, de crescimento muscular e, automaticamente, de converter este potencial em carne de qualidade e de se tornarem reprodutores eficientes”, diz.

O desempenho dos animais, que formam um grupo de contemporâneos com diferença máxima de 90 dias de idade, retrata a realidade e o dia a dia da fazenda de recria e engorda.  “Os animais passaram pelo período de seca e, agora, estão passando pelo período das águas. Eles são avaliados nesta realidade, no ganho de peso pós desmama e no peso ajustado para um ano e meio. Também são avaliadas suas características raciais e reprodutivas. E, ainda, vamos incorporar a ultrassonografia de carcaça nesta prova, que nos possibilita ter a proporção de carne no peso total e nível de terminação destes animais para o frigorífico”, informa Fraga.

Após a avaliação a pasto, os animais participarão de outro teste, desta vez em confinamento por 120 dias, quando receberão volumoso e concentrado em maior quantidade. Ao final, eles serão novamente avaliados. Os garrotes classificados como superiores nestas avaliações estarão aptos a transmitir sua genética para as próximas gerações. Eles serão ofertados em leilão de reprodutores provados, em outubro deste ano.

As provas de ganho em peso fazem parte do Programa de Melhoramento Genético das Raças Zebuínas (PMGZ) da ABCZ. Em Patos de Minas, a PGP foi implantada em parceria com a EPAMIG, Centro Universitário de Patos de Minas (Unipam), Sindicato dos Produtores Rurais e Grupo Amigos do Nelore. Conta com o apoio da Emater-MG, Instituto Mineiro Agropecuário (IMA), Secretaria Municipal de Agricultura e das empresas Ouro Fino e Matsuda.

Potencial reprodutivo – De acordo com o pesquisador da EPAMIG, André Penido, que acompanha o desenvolvimento reprodutivo dos animais, é importante ser eficiente do ponto de vista alimentar e ganhar peso, mas é fundamental o animal transmitir esta genética para as gerações futuras. Por isso, na primeira pesagem foi feita uma mensuração do período escrotal, que é um indicativo de fertilidade. Na última pesagem será refeita esta mesma mensuração para ver se houve o aumento do perímetro escrotal que, segundo o pesquisador, é o esperado. “Posteriormente será feito o exame andrológico para atestar a qualidade do sêmen e de forma complementar, será avaliada a viabilidade do sêmen após o congelamento”, informa.  A Central Alta Genetics confirmou o congelamento de 500 doses de sêmen de um dos touros melhor classificado. As doses serão usadas pelos criadores participantes.

Sanidade animal – O desempenho sanitário dos animais da PGP está sendo acompanhado por uma empresa especializada, a Ouro Fino. Na penúltima pesagem oficial, realizada em 24 de fevereiro, foram feitas aplicações de carrapaticida e vermífugo injetável. A médica veterinária Stefane Guerreiro, explica que a época é propícia para infestação de carrapato sendo fundamental combatê-los para manter os animais saudáveis e propiciar o ganho de peso até o final da prova.

Suplementação alimentar – Além da alimentação a pasto, os animais também recebem suplementação, dependendo da época do ano. Outra empresa parceira, a Matsuda, disponibiliza um zootecnista para acompanhar e avaliar as condições das pastagens com o objetivo de disponibilizar o produto adequado para cada etapa. Segundo o gerente comercial da empresa, Eduardo Pimenta Peres, no início da prova, na fase de adaptação, os animais receberam suplemento mineral proteico para nivelar a condição nutricional, já que pertencem a diferentes fazendas. “A prova seguiu com este produto até o final do período da seca. Desde o início do período das águas os animais estão recebendo suplemento proteico energético”, informa.

Infraestrutura e conhecimento – O Unipam também participa da PGP com o acompanhamento de seus professores dos cursos de Zootecnia e Veterinária, ligados a área de melhoramento, e com seus alunos. Para a professora de melhoramento genético, Matilde Pessoa, a PGP está sendo um importante laboratório. “Os estudantes acompanham este trabalho e adquirem conhecimento prático da teoria vista em sala de aula”, diz. O coordenador do curso de Zootecnia do Unipam, Ronan Magalhães de Souza, acrescenta que além deste envolvimento dos alunos, o Unipam disponibiliza suas instalações para dar suporte na prova. “Os laboratórios de nutrição animal e bromatologia auxiliam na quantificação dos nutrientes que contém nas plantas forrageiras onde os animais estão mantidos, enquanto o laboratório de solos realiza o diagnóstico da fertilidade de solo sob essas pastagens. O hospital veterinário também está disponível para atender aos animais caso necessário”, informa.

Transferência de tecnologia – Para o pecuarista Paulo Kober, o produtor rural é o maior contemplado com este trabalho.  “Por meio da PGP, nós, criadores de gado de reprodução e melhoramento, fazemos medições dos rebanhos, dos futuros touros, para melhorar a genética. Na medida em que melhoramos a genética do nosso rebanho, o produtor do gado comercial também ganha, pois recebe um material mais eficiente. Também ganha o consumidor que terá acesso a uma carne de maior qualidade”, diz. Já na opinião do produtor Paulo Mendonça, com propriedade no município de Paracatu, a prova permite alinhar informações importantes, pertinentes ao melhoramento genético. “Com esses dados, podemos comparar os animais e ver o que o mercado está pedindo”, salienta.

O pecuarista e diretor de relações públicas da ABCZ, Fabiano Mendonça, explica porque um dos resultados esperados com este trabalho é a melhoria na qualidade da carne: “Será possível fazer o abate mais cedo, que além de trazer mais lucratividade para produtor vai resultar em um produto mais macio, proporcionando qualidade para o consumidor”.

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