Tecnologias para o café do Cerrado Mineiro

Encontro discute sustentabilidade e qualidade na cafeicultura da Região

9168 - Cafeicultores conheceram novas variedades de cafés arábica com potencial para o Cerrado Mineiro 

(Patrocínio – 20.05.2016) – Maior município produtor de café do Brasil, Patrocínio, no Alto Paranaíba, sediou o Encontro de Inovação e Tecnologia para a Cafeicultura do Cerrado Mineiro, no dia 19 de maio. O evento reuniu cerca de 550 participantes no Campo Experimental da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) neste município, com programação de campo, minicursos e painel “Importância da Qualidade para a Sustentabilidade do Agronegócio Café”, com a presença de especialistas da cafeicultura.

“Patrocínio se tornou importante polo produtor de café e também de pesquisa. A EPAMIG, juntamente com instituições parceiras, pretende potencializar os trabalhos desenvolvidos no Cerrado Mineiro. E esse Encontro já faz parte dessa integração”, ressalta o diretor de Operação Técnicas da EPAMIG, Trazilbo de Paula Júnior, durante a abertura do Encontro.

Para o presidente da Federação dos Cafeicultores do Cerrado Mineiro, Francisco Sérgio de Assis, em função dos vários desafios da cafeicultura, inclusive no fator mudanças climáticas, a busca por conhecimento e investimento em pesquisa é prioridade. “Certamente, essas parcerias entre Federação e EPAMIG irão trazer novas perspectivas para o cafeicultor”, comemora pelo sucesso do evento e ano de safra alta no Cerrado.

Pesquisadores da EPAMIG apresentaram aos participantes novos materiais genéticos com potencial produtivo. São materiais promissores, com resistência à ferrugem e que têm se destacado em relação à qualidade de bebida. No Banco de Germoplasma de Café da EPAMIG, um dos maiores do Brasil, os participantes puderam saber sobre os mais de 1.500 materiais implantados. “O banco é uma garantia da continuidade do programa de melhoramento genético do cafeeiro e da evolução da cafeicultura no estado”, explica o pesquisador da EPAMIG Antônio Alves que contribuiu na implantação e ampliação do acervo do banco.

Quatros novas variedades de café em fase de registro também foram apresentadas aos participantes. De acordo com o pesquisador da EPAMIG Gladyston Carvalho são materiais com base na Catuaí, cultivar de café mais plantada no cerrado mineiro. “Três delas são resistência à ferrugem, principal doença da cafeicultura, e uma se destacou por ter um grão maior”, explica.

Nos minicursos, especialistas ainda falaram sobre temas como pós-colheita para a cafeicultura familiar, oportunidades para jovens no café e qualidade de café sob a percepção das mulheres envolvidas com o setor cafeeiro.

O Encontro de Inovação e Tecnologia para a Cafeicultura do Cerrado Mineiro foi realizado pela Federação dos Cafeicultores do Cerrado, Fundação de Desenvolvimento do Cerrado Mineiro (Fundaccer) e EPAMIG, com o apoio da Emater-MG e Consórcio Pesquisa Café.

 

Transferência de Tecnologias para o Cerrado mineiro

Projeto desenvolvido entre EPAMIG e Federação dos Cafeicultores do Cerrado Mineiro selecionou 30 produtores de 17 municípios da Região que irão destinar um hectare de suas propriedades para implantação de Unidades Demonstrativas para avaliação de 12 cultivares de café selecionadas para os experimentos. “Já nos reunimos com esses cafeicultores que irão receber as sementes e que serão acompanhados pela equipe técnica da EPAMIG”, explica o pesquisador Gladyston Carvalho.

Para o cafeicultor Wagner Ferrero, que há cinco anos introduziu cultivares de café arábica desenvolvidas pela EPAMIG em sua lavoura, é constante a busca por novos materiais genéticos que tenham qualidade de bebida. Um dos materiais que obteve bons resultados foi a cultivar MGS Paraíso 2, que recebeu na prova de xícara nota de 87,79 na escala da Sociedade Norte-Americana de Cafés Especiais (SCAA). “Fomos procurados por uma grande empresa que comercializa café expresso e cápsulas que viu um diferencial na bebida produzida pela Paraíso 2, em nossa propriedade em Patos de Minas”, comemora o cafeicultor que herdou o ofício do pai e hoje produz café nas Regiões Mogiana e  Cerrado Mineiro.

A MGS Paraíso 2, originada da hibridação entre a Catuaí Amarelo IAC 30 e o híbrido de Timor UFV 445-46, é resultado do programa de Melhoramento Genético do Cafeeiro da EPAMIG. É uma das cultivares promissoras para Cerrado Mineiro e também apresentada durante o Encontro.

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